O Assassino do Calendário (título original: Sebastian Fitzeks Der Heimweg, também conhecido como The Calendar Killer) é um thriller psicológico lançado em 2024/2025 que já chamou atenção por seu enredo de tensão e reviravoltas sombrias. Dirigido por Adolfo J. Kolmerer, ele é baseado no livro Der Heimweg, do autor alemão Sebastian Fitzek.

A trama envolve uma mulher chamada Klara que vive sob ameaça, um “assassino do calendário” que impõe prazos fatais, e um atendente de linha de apoio, Jules, que tenta auxiliá-la à distância. Aos poucos, segredos são revelados e o filme ganha camadas de motivação psicológica, vingança e justiça.
Neste artigo você vai encontrar:
- Um resumo completo da história (sem pular etapas importantes)
- A explicação da reviravolta central (spoiler total)
- Análise dos temas centrais e do final
- O que faz o filme funcionar — e onde ele tropeça
Resumo da trama
A ameaça inicial
Klara é uma mulher que, numa noite comum, recebe uma ameaça direta de um criminoso conhecido como Assassino do Calendário. Ele dá a ela uma escolha impossível: ela deve matar o marido ou será morta (ou ele vai matar o marido) no prazo que ele estipula. A data limite é marcada num “calendário” sinistro, e essa “assinatura” é parte do modus operandi do assassino — ele escreve a data da morte nas paredes das vítimas.
Assustada, Klara entra em contato com uma linha de apoio. Do outro lado da linha está Jules, um atendente que passa seu turno ajudando mulheres que se sentem em risco. Quando ele recebe a chamada de Klara, percebe que ela realmente está em perigo real, e faz de tudo para orientá-la enquanto ela foge, tenta se esconder, enfrenta seu marido abusivo e lida com traumas do passado.
O drama pessoal de Klara
Enquanto Klara escapa, flashbacks revelam que seu casamento é tóxico: ela sofreu abusos físicos, emocionais, manipulação. O marido Martin é retratado como manipulador e controlador. Klara, ao longo da narrativa, questiona se alguém acreditará nela, se terá força para agir e como sair daquela situação.
Além disso, há pistas de que aquela chamada não é apenas sobre um assassino externo — algo nela, ou ao redor dela, é mais complexo do que parece.
O envolvimento de Jules
Jules é mostrado como alguém empático, gentil, dedicado ao trabalho de linha de apoio. Ele tenta manter Klara calma, instruí-la, fazê-la pensar racionalmente, orientá-la a escapar ou se esconder, e investigar pistas que surgem durante a noite. Jules também vive com seus próprios traumas: sua esposa e filhos morreram num incêndio, e isso o transformou. Ele parece emocionalmente abalado, mas comprometido com sua função de ajudar.
Conforme a noite avança, Klara e Jules vão descobrindo elementos que conectam suas histórias: sombras de manipulação, rastreamentos de câmeras, segredos escondidos, e a tensão de que talvez ninguém — nem Jules — seja o que aparenta.
Spoiler completo: a reviravolta e o desfecho
Revelação chocante: Jules é o assassino
No momento mais tenso, Klara acaba sendo atraída de volta para sua casa, onde Jules aparece pessoalmente. E é aí que a reviravolta acontece: Jules é o próprio “Assassino do Calendário”. Ele orquestrou tudo. Ele monitorou Klara, manipulou a narrativa, conduziu pistas falsas, e usou a estrutura de linha de apoio para estar “dentro” da mente das vítimas.
Jules força Klara a fazer a escolha final: matar Martin ou morrer. Ele justifica suas ações como uma vingança moral: ao longo de sua vida, ele viu injustiças, viu mulheres abusadas, e decidiu agir — mas de modo extremo e perverso. Ele cria um “julgamento paralelo” onde impõe sentenças fatais para supostos abusadores, forçando mulheres a matar ou serem vítimas.
O papel do pai de Jules
Outra peça-chave do final: o pai de Jules, um policial aposentado, descobre a verdadeira identidade do filho e intervém no momento decisivo. Ele mata Jules para impedir que ele continue com sua missão terrível. Essa intervenção externa rompe o ciclo de morte e revela para Klara — e para o público — que nem todos os atos violentos são justificáveis, mesmo que alguém ouse se considerar juiz.
Motivações e justificativas
- Trauma pessoal de Jules: sua esposa cometeu suicídio ou foi vítima de um incêndio; ele ficou marcado internamente.
- Vingança “social”: Jules acreditava estar punindo homens abusivos que escapam da lei, mas sua lógica é distorcida.
- Manipulação e god complex: ele se considera aquele que “faz justiça” onde o sistema falha, mas se transforma num monstro.
- Controle absoluto: monitorar, intimidar, impor escolhas extremas — tudo isso lhe dá poder sobre suas vítimas.
Final e reflexões
Depois que Jules é morto, Klara fica livre da ameaça imediata. Mas o trauma permanece: ela sobrevive, mas com cicatrizes emocionais profundas. O filme não termina com “tudo bem”, mas com uma cena de esperança e reconstrução — ao menos ela está viva e pode tentar reerguer sua vida.
Explicação dos temas e simbolismos
Violência doméstica como núcleo
Embora o “assassino do calendário” apareça como o vilão visível, o verdadeiro antagonista ao redor é o abusador doméstico. Klara vive no terror conjugal, e o filme traça um paralelo entre crimes extremos e a violência do dia a dia que muitas vezes fica invisível.
Justiça vs. vingança
O filme questiona: quem tem direito de julgar? Jules acredita ter o direito moral de executar condenações, mas ele próprio quebra todas as regras éticas. A ambiguidade entre justiça legítima e vingança pessoal é central. Ele rejeita o sistema jurídico para criar seu próprio tribunal mortal — mas essa rejeição é uma forma extrema de arrogância e perversão.
Manipulação psicológica
O uso de telefonemas, ligações, orientação à distância, jogos mentais e câmeras mostra como a violência psicológica pode se infiltrar na vida das pessoas sem que elas percebam completamente. O filme usa essas ferramentas para jogar com a mente do espectador: quem é confiável? Quem mentiu? Quem manipulou quem?
Identidade e dissimulação
Jules se apresenta como vítima, herói e salvador — função que acessa enquanto conversa com Klara. Essa dissimulação é essencial para que ele se mova nos bastidores, sem levantar suspeitas. O contraste entre identidade real e identidade aparente é usado como faca na narrativa.
Pontos fortes e fragilidades do filme
O que funciona bem
- Premissa tensa e sugestiva: “mate ou seja morto” já fisga o espectador.
- Reviravolta impactante: a surpresa de que Jules é o vilão é bem construída.
- Enfoque em temas sociais reais: violência doméstica, manipulação, trauma.
- Atmosfera de suspense: momentos de tensão, uso criativo de som e ambiente.
Onde o filme tropeça
- Algumas cenas podem parecer forçadas ou expositivas demais.
- Em alguns momentos a narrativa “costura” pistas óbvias demais ou abre buracos de lógica.
- Os personagens secundários ficam, por vezes, subutilizados ou superficiais.
- A intensidade dramática é forte, mas nem sempre sustentada até o fim.
O Assassino do Calendário é mais do que um suspense com assassino serial: é um mergulho em temas sombrios da sociedade — abusos silenciosos, justiça falha, vingança distorcida. A reviravolta, embora chocante, faz sentido dentro do universo construído, e o desfecho impõe reflexão: até onde alguém está disposto a ir em nome da “justiça”?
Se você gosta de thrillers psicológicos com cenas que mexem com a cabeça, narrativas que jogam com a ambiguidade e desfechos que não são simplesmente “felizes”, esse filme vai te prender. E se quiser, posso também mostrar comparações com o livro original Der Heimweg ou teoria dos fãs que surgiram depois — você quer isso?
